Por Monica Brum, Priscila Vanzin e Rafaela Haygertt
O algodão cru, eleito como tecido exclusivo da coleção produzida por alunos do curso de Design de Moda, do Centro Universitário Metodista do IPA, ganhou diferentes tonalidades e looks, apresentados no desfile de modas, neste último domingo, na Associação Leopoldina Juvenil. O tema escolhido para a 8ª edição foi “Designer & Moulage – das formas nascem as roupas".
Considerado um tecido ecologicamente correto, o algodão, apareceu em peças masculinas, femininas e infantis com recortes, cores e diferentes propostas, para mostrar o potencial da matéria prima utilizada por quem cria, produz e divulga uma forma de vestir amigável com a natureza. O conceito determinado pelo curso para a coleção enfatizou a importância de três pilares da criação: formas, texturas e cores, e trouxe o desafio de utilizar como material apenas algodão e explorando as diferentes técnicas de tingimento.
Cada um dos grupos, divididos por semestre, trabalhou seu conceito a partir de um determinado público alvo, usando um estilista como fonte de inspiração. E, na sequência, as peças foram estruturadas nos manequins, através do processo de moulage. Somente após essas etapas é que foram desenhados os croquis. A professora de artes, Mariana Silva aprovou a proposta de apresentar as diferentes formas de utilizar um mesmo tecido. “Achei o desfile ótimo. Gostei de ver a criação de todos os semestres”, comenta a professora.
Os públicos-alvo foram, em grande parte, escolhidos a partir de conceitos criados pelo Future Lab Concept, um bureau de tendências, situado em Milão, que pesquisa comportamento de consumo e prospecta tendências futuras. Entre os grupos apresentados estavam expo teens, linker people, posh tweens, trendseeters deluxe man, singular woman, sense girls e bossa nova. Cada semestre também tinha um degrade de cores para o desenvolvimento das peças. Como estilistas, os nomes que serviram de inspiração foram Madeleine Vionnet, Balenciaga, Maniash Arora, Yoji Yamamoto, Walter Rodrigues, Viviane Westwood, Viktor e Holf e Martin Magiela.
Antes do desfile, foram apresentados alguns editoriais de moda produzidos por alunos dos cursos de Design de Moda e Publicidade e Propaganda do IPA. Cada ensaio foi inspirado em uma das décadas do século XX e tiveram como suporte o figurino dos filmes Chicago, Dama Negra, Grease, Hair e Flashdance. "É incrível o que os alunos conseguiram criar utilizando esse material”, afirmou o coordenador do curso, Carlos Ramiro Padilha, entusiasmado com os trabalhos dos alunos produzidos a partir do algodão cru.
A primeira turma de formandos do curso de moda encerrou o desfile ao apresentar suas coleções. Fabiana Medeiros, Melania Pol e Silvia Medeiros tiveram a liberdade para escolher seus temas. Cada qual trouxe à passarela cinco looks.
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Parabéns as alunas do curso, o desfile estava bonito e criativo.
Monica Brum
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quinta-feira, 24 de junho de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
O fluído e o sólido, o efêmero e o permanente, o fugaz e o estável
[ Identidade de nós mesmos Win Wenders ]
Você mora onde mora faz o seu trabalho. Você fala o que fala, come o que você come. Veste as roupas que veste, olha para as imagens que vê. Você vive como vive como pode viver. Você é quem você é. “Identidade”...de uma pessoa, de uma coisa, de um lugar. “Identidade”. Só a palavra me dá calafrios. Ela lembra calma, conforto, satisfação. O que é identidade? Conhecer o seu lugar? Conhecer o seu valor? Saber quem você é? Como reconhecer a identidade? Criamos uma imagem de nós mesmos e estamos tentando nos parecer com essa imagem. É isso que chamamos de identidade? A reconciliação entre a imagem que criamos de nós mesmos e nós mesmos? Mas quem seria esse “nós mesmos”? Nós moramos nas cidades, as cidades moram em nós, o tempo passa. Mudamos de uma cidade para outra, de um país para outro, trocamos de idioma, trocamos de hábito, trocamos de opinião, trocamos de roupa, trocamos tudo. Tudo muda rápido. Sobretudo as imagens. Elas mudam cada vez mais rápidas e se multiplicam num ritmo infernal, desde a explosão que desencadeou as imagens eletrônicas, as mesmas imagens que agora estão substituindo a fotografia. Podemos confiar na eletrônica? No tempo da pintura, tudo era simples. O original era único, e toda cópia era uma cópia, uma falsificação. Com a fotografia e o cinema, a coisa começou a se complicar. Na fotografia o filme é o original, o resto é cópia. A moda sempre está morta. Identidade e moda seriam coisas contraditórias?
É assim que Win Wender começa o documentário Identidade de Nós Mesmos. Jogando na cara no espectador vários sentimentos e questionamentos. Afirmando não estar nem aí pra moda e mostrando o processo criativo de um dos mestres da alta-costura Yohji Yamamoto. Wender conduz o filme descobrindo a moda, a sua nova câmera e o estilista de maneira simultânea, e não tem medo de relatar que quando não se domina o assunto, as primeiras perguntas não são muito profundas. Yamamoto, por sua vez, relata que o processo criativo inicia com o tecido, com o toque, para senti-lo. Depois parte para forma. Ele deixa claro que não existe uma regra, mas que prefere sentir antes de criar. E ainda, que nesse momento é necessário pensar em duas línguas diferentes ao mesmo tempo: o fluído e o sólido, o efêmero e o permanente, o fugaz e o estável.
A trilha sonora inquieta serve de cortina para as várias linguagens que o trabalho de Yamamoto passa. Seja pela cor ou pela formas assimétricas. O preto é mais que uma cor para o estilista. Representa um mix de emoções, que mudam constantemente. O preto é a conclusão de todas as cores. “Usando o preto assim (em muitas peças) dá uma sensação histérica”, diz o estilista.
Wenders traça um paralelo entre as cidades e a moda, percebendo uma identidade, falsa ou não, de quem vive em determinados locais. A tecnologia usada como “eletrônico”, também, está em cada cena no doc. Em um determinado momento, o diretor começa a perceber pontos em comum com Yamamoto, tornando mais próximo e atraente todo aquele universo. Isso é revelado folheando o livro People of the 20th Century, de August Sender, onde as fotos das pessoas são reveladoras. Segundo Yamamoto, através das vestimentas é possível revelar as profissões das pessoas daquela época.
Um documentário maravilhoso, inquieto, revelador e profundo. Muitas questões são levantadas. Paradigmas quebrados. A quietude interna do oriental transcende a tela. O profissional compenetrado e preocupado com todo o processo que envolve a sua roupa é mostrado de forma simples que deixa uma verdadeira vontade de fazer, de fazer o que se ama. Yamamoto levanta essas questões de identidade, pois por muito tempo negou a afirmação que representava a moda japonesa. Wenders contou a história do mito, da paixão pelo trabalho, da identificação através do que se acredita da influência de grandes cidades, da cultura e do “eletrônico”. Formidável e instigante.
Foto do livro People of the 20th Century, de August Sender
Imagem de um cigano, essa é a preferida de Yamamoto.
O olhar do homem chama a atenção e a mão no bolso.
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